Mudança do sistema manicomial no Brasil

Uma notícia que impactou nestes momentos da ignorância no poder, tratando da mudança do sistema manicomial no Brasil.
O Brasil foi surpreendido com o Ministério da Saúde, de Jair Bolsonaro, segundo a Reportagem de Lígia Formenti, do jornal O Estado de S.Paulo, do dia oito de fevereiro de 2019, sobre as mudanças na Política de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas tutelado pelo Ministério da Saúde. Só há a pensar, uma abertura de terror com a utilização de eletrochoques com o agravante de internações de crianças em hospitais psiquiátricos, é o descarte consentido dos diferentes, arma de opressores que descartam o humano existente no outro.
Enquanto isso, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta se diz desconhecer o documento. O governo (ou pode-se dizer: o desgoverno) de Jair Bolsonaro, fica a margem de questão de forte ação abusiva no descarte do outro por qualquer motivo que o poder achar inconveniente. Então fica a pergunta, afinal quem responde por esta pasta?
A ação partiu pelo Coordenador Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro, que assinou a nota técnica, o arcaico sujeito defende o absurdo dos tratamentos que atingirão os diferentes, mas a quem isto atende? A compra dos aparelhos de eletroconvulsoterapia, já foram autorizados para utilização no SUS.
Gostaria de colocar na nossa conversa a Dra. Nise da Silveira, psiquiatra pioneira na mudança e humanização do sistema manicomial do antigo Centro Psiquiátrico Pedro II e hoje o nome de Instituto Municipal, em homenagem a renomada psiquiatra alagoana Nise da Silveira reconhecida mundialmente com sua técnica que trabalhou juntamente com Dr. Carl Jung na integração dos indivíduos. No dia 31 de janeiro de 2019 três acervos do Brasil foram aprovados para fazer parte do registro internacional do programa Memória do Mundo da UNESCO. São eles: o Arquivo Pessoal de Nise da Silveira, a Coleção do ‘Educador Paulo Freire’ e ‘Antônio Carlos Gomes: compositor de dois mundos’.
Em 1989, o então deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores mineiro e um de seus fundadores históricos, Paulo Delgado, inspirado nas ideias da dra. Nise da Silveira e do psiquiatra italiano Franco Battaglia, fortaleceu a luta antimanicomial com projeto de Lei nº 10.216 de 6 de abril de 2001, propondo a extinção progressiva dos manicômios e a regulamentação da internação psiquiátrica compulsória. O projeto de lei só foi aprovado e entrou em vigor, em 2001. Em 2003, o deputado Paulo Delgado foi homenageado pela Organização Mundial da Saúde pela criação da referida lei. Ao ser homenageado, relatou sobre os fracassos das instituições manicomiais da região de Minas Gerais, seu Estado de origem. São de Minas Gerais também, as pesquisas recentemente transformadas em um documentário sobre o Manicômio Hospital Colônia de Barbacena, cujas práticas o consideram o holocausto brasileiro.
O governo (ou seria, o desgoverno) de Jair Bolsonaro discute e empreende a modificação dessas leis arduamente conquistadas no Brasil e que envolvem a questão dos Direitos Humanos de doentes mentais.
Gostaria de citar Michel Foucault, filosofo Frances do século XX, em seu livro da História da Loucura, quando surgem os hospícios no final da Idade Média, por volta do século XV, o problema da lepra desaparece e, com isso, um vazio aparece no espaço do confinamento. Se toda a preocupação do poder real em torno do controle dos leprosários desapareceu, Foucault nos diz que esta prática não representa o efeito da cura.
Estas ações tem um alvo certo e intencional ao atingir os indivíduos dos quais eles querem higienizar, descartar e anular com a exclusão desses personagens do seu grupo social.
Concluo para nossa reflexão porque a subjetividade sede ao coletivo? Estado e sociedade têm uma crise do lugar do Estado clássico, ou seja, o estado do Bem-estar social invadido e manipulado por um poder anônimo que retira a individualização e desumaniza. O coletivo não garante mais nada, pois está encharcado do medo do outro.
Com Jair Bolsonaro e seu grupo de ódio, milicianos com linguajar e agir desestruturante, com vários caciques (líderes políticos em disputa de poder), mas com um só objetivo destruir almas e relações, o que assistimos é um ataque ao espaço público e o espaço privado.
Quantos amigos e familiares nestes tempos sombrios não dialogamos mais?

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